Estética da Violência

Por Ramiro Furquim/Sul21Em tempos de protestos e manifestações, não custa retomar e refletir sobre algumas imagens da estética da violência. Elas podem ser instrumentos muito bons para o professor trabalhar em sala de aula temas como Estética e Política, por exemplo. Vou postar algumas aqui, sem me comprometer do como trabalhar com elas em sala de aula. Mas acho que pelo material já vale a leitura.

Começo pela estética da violência produzida por um brasileiro, o artista Hélio Oiticica. Entre 1967-68 o cara produziu junto com outros tropicalistas o movimento Marginália. Dentre outras coisas dele, a imagem que escolhi foi a do traficante carioca Cara de Cavalo, famoso em sua época, e que apareceu em um jornal do período. O artista recortou a imagem e inseriu a frase (usada depois em um show do Caetano Veloso, que motivou censura da Polícia Federal). SEJA MARGINAL. SEJA HERÓI.

 Image

Sobre a Marginália, fala Oiticica:

“Hoje, recuso-me a qualquer prejuízo de ordem condicionante: faço o que quero e minha tolerância vai a todos os limites, a não ser o da ameaça física direta: manter-se integral é difícil, ainda mais sendo-se marginal: hoje sou marginal ao marginal, não marginal aspirando à pequena burguesia ou ao conformismo, o que acontece com a maioria, mas marginal mesmo: à margem de tudo, o que me dá surpreendente liberdade de ação – e para isso preciso ser apenas eu mesmo segundo meu princípio de prazer: mesmo para ganhar a vida faço o que me agrada no momento.”

 “Quando digo “posição à margem” quero algo semelhante a esse conceito de Marcuse: não se trata da gratuidade marginal ou de querer ser marginal à força, mas sim colocar no sentido social bem claro a posição do criador, que não só denuncia uma sociedade alienada de si mesma mas propõe, por uma posição permanentemente crítica, a desmistificação dos mitos da classe dominante, das forças da repressão”.

Outro olhar sobre a violência é do artista Romain Gavras. Já escrevi sobre ele no site e não vou me repetir, mas comparem a imagem abaixo (daqui) com o clipe, dirigido por ele, No church in the wild”.

Por Ramiro Furquim/Sul21

Por último, a imagem pintada pelo antropólogo Pierre Clastres (para um texto curtíssimo e muito legal sobre o autor clique aqui). Em seu livro, Arqueologia da Violência, no ensaio honônimo, ele discute em um excelente texto o papel da violência nas sociedades primitivas, em oposição ao papel da violência na nossa sociedade. (Uma breve reflexão sobre o mesmo tema, do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, clique aqui.) Sociedades tradicionais não são sociedades sem o Estado, mas contra o Estado. Isso porque elas recusam a divisão entre dominantes e dominados, pedra de toque do Estado moderno (via instituição da chefia). Mas, não são sociedades sem poder, porque são sociedades no qual a política desempenha um papel. Contudo, é um papel marcado pela recusa. A relação é simples: a guerra é proporcional a diversidade e o Estado é inimigo da diversidade.

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