Estudos de Gênero na sala de aula

valente_escola_sem_machismoEm tempos de Escola sem Partido e do Estatuto da Família, e de uma reação cada vez mais articulada contra a criação de espaços de discussão a respeito de diversidade e igualdade nas escolas brasileiras, a ONU Mulheres lançou, no início de 2017, o projeto “O Valente não é Violento“,  com o objetivo de “estimular a mudança de atitudes e comportamentos dos homens, enfatizando a responsabilidade que devem assumir na eliminação da violência contra as mulheres e meninas”. Parte integral dessa iniciativa é o estímulo e o incentivo à discussão de questões relativas à violência e diversidade de gênero e étnica-racial no espaço escolar.

Dentre as muitas iniciativas do projeto, uma das mais interessantes, e que ganhou certo destaque nos cantos feministas das redes sociais, é a divulgação gratuita de um inventário bem documentado que articula legal e politicamente a proposta, de um currículo educativo para o ensino médio, que apresenta um excelente panorama da inclusão (ou exclusão) da temática da igualdade de gênero na educação básica no Brasil, e de seis planos de aulas dedicados à temática, que ao meu ver, são o cerne da proposta.

O material apresentado nos planos de aula, além de criativo e interessante, é abrangente e bem referenciado, e na sua totalidade aborda seis tópicos diferentes: 1) sexo, gênero e poder; 2) violências e suas interfaces; 3) estereótipos de gênero e esportes; 4) estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia; 5) estereótipos de gênero, carreiras e profissões; e 6) diferenças e desigualdades; e vulnerabilidades e prevenção.

Guiados por uma perspectiva interseccional dos problemas abordados, e pontuados com diversas sugestões de atividades e materiais de apoio, os planos se configuram como excelentes pontos de partida para a introdução e/ou o aprofundamento da discussão sobre igualdade e diversidade de gênero e raça no ensino médio, e podem ser adaptados tanto para atividades em sala de aula ou em contextos extracurriculares. Além disso, dada a extensão da proposta,  acredito que professoras e professores teriam material suficiente para desenvolver e aplicar durante todo o ano letivo.

Março é tradicionalmente conhecido como sendo “o mês das mulheres“, e todo o dia 25 do mês é um “dia laranja“. Nesse sentido, me parece nessa semana temos uma oportunidade ideal de nos apropriarmos desse material bastante rico elaborado por Marcos Nascimento e Silvani Arruda para, de uma vez por todas, abrimos o espaço escolar para essa discussão tão urgente, e começarmos a democratizar efetivamente nossas salas de aula.

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Sobre Tatiana Vargas Maia

Doutora em Ciência Política (SIU), Mestre em Relações Internacionais (UFRGS), Bacharel em História (UFRGS) e Ciências Sociais (PUCRS). É coordenadora do Bacharelado em Relações Internacionais, e da Licenciatura e do Bacharelado em História do Unilasalle Canoas. Também coordena o Comitê responsável pelo Pacto Universitário de Educação em Direitos Humanos no Unilasalle Canoas, e é professora​ do PPG em Memória Social e Bens Culturais da mesma instituição. Pesquisa identidades políticas (nacionalidade, raça e gênero) nas Relações Internacionais, na ​Política Comparada, na História Contemporânea, e na Teoria Política.

Uma ideia sobre “Estudos de Gênero na sala de aula

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