Arquivo da categoria: Ética

Estudos de Gênero na sala de aula

valente_escola_sem_machismoEm tempos de Escola sem Partido e do Estatuto da Família, e de uma reação cada vez mais articulada contra a criação de espaços de discussão a respeito de diversidade e igualdade nas escolas brasileiras, a ONU Mulheres lançou, no início de 2017, o projeto “O Valente não é Violento“,  com o objetivo de “estimular a mudança de atitudes e comportamentos dos homens, enfatizando a responsabilidade que devem assumir na eliminação da violência contra as mulheres e meninas”. Parte integral dessa iniciativa é o estímulo e o incentivo à discussão de questões relativas à violência e diversidade de gênero e étnica-racial no espaço escolar. Continuar lendo

Falácias, vieses e preconceitos

 

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Guerrilla Girls, Manhattan, 1985. Fonte: New York Times.

O que falácias, vieses e preconceitos tem em comum? Ou, o que maus argumentos que parecem bons; processos cognitivos que favorecem as preferências pessoais ao invés de fatos; e, atos de discriminação contra pessoas por conta de uma característica social, tem em comum? Além do fato de todos envolverem alguma falha cognitiva, nesse post vamos explorar a relação entre epistemologia, psicologia e ética dessas falhas. Continuar lendo

Filme “Solitário Anônimo” e o direito de morrer

Sinopse do filme: O filme mostra, por um lado, a vontade do Solitário Anônimo de pôr fim à sua própria vida. Ele é um homem estudado, formado em Direito e Filosofia pela Universidade de Brasília, mas decidiu se mudar para uma pequena cidade do interior de Goiás onde não conhecia ninguém. Foi morar longe de seus familiares para não preocupá-los pois queria morrer em paz. Por outro lado, o filme retrata o esforço dos profissionais de saúde em reanimar o Solitário Anônimo que fazia greve de fome há dias. Solitário Anônimo se ressente de que as pessoas acham que têm o direito de se preocupar com os outros, pois não o deixaram morrer. E diz que, se fosse corajoso, ele teria nascido japonês, já que lá é comum se suicidar.

Proposta de Trabalho: Utilizei este filme para discutir o direito de morrer com os alunos (3º ano do Ensino Médio). Antes de exibi-lo, pedi para os alunos se concentrarem nos argumentos possíveis para a defesa e condenação do “direito de morrer” apresentados pelo filme. Pedi, além disso, para os alunos fazerem o esforço para não ver o filme com alguns preconceitos como, por exemplo, tratar o caso do “Solitário Anônimo” como alguém que sofria um mal psíquico. Após a exibição do filme, pedi para cada aluno apresentar os argumentos que eram apresentados no filme e fui sistematizando no quadro. O intuito era pensar na relação do Estado e o Direito sobre a vida dos indivíduos. Pode ser desenvolvido um tribunal no qual uns alunos podem ser acusadores e outros defensores do “Solitário Anônimo”. Enfim, o filme pode ser trabalhado de muitas formas. O certo é que ele instigou muito os meus alunos.

Diálogos com a escola: experiências em formação continuada em filosofia na ufrgs

O livro é resultado do Curso de Formação Continuada em Filosofia para professores do Ensino Médio no Rio Grande do Sul, realizado entre 2012 e 2013 sob a coordenação da professora Priscilla Tesch Spinelli do Departamento de Filosofia da UFRGS. O curso é uma das parcelas do FORPROF UFRGS, que por sua vez faz parte do Plano Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica do Ministério da Educação, o PARFOR.

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Uma leitura filosófica sobre os Direitos dos Animais*

A discussão sobre os Direitos dos Animais (proclamado pela UNESCO em 1978) toma cada vez mais nossa cena pública. Vejamos dois exemplos: o primeiro em maio de 2008 – a justiça liberou um estudante de Biologia da UFRGS a concluir seu curso sem assistir as aulas práticas de vivissecção. O outro em julho de 2010 – a proibição pelo Parlamento catalão, a partir de 2012, da tradicional tourada na região espanhola da Catalunha. Por que esses casos são polêmicos? Porque mostram nossa sociedade colocando em pé de igualdade Direitos Humanos e Direitos dos Animais e nem todas as pessoas estão de acordo com isso. Para fazermos uma leitura filosófica desse fenômeno deveremos analisar: como pessoas justificam serem favoráveis e outras contrárias a existência de Direitos dos Animais?

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