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“Eles são desinteressados”, mas quem são “Eles”?

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Spencer Tunick, Big Color 6, 2010.

É muito frequente a atribuição de interesse e desinteresse a turmas, expresso em frases do tipo: “A turma é interessada”. Mas poucas vezes vi uma discussão filosófica da validade de tais atribuições.  Aqui quero trazer uma reflexão sobre frases desse tipo e, (creio que mais importante) mostrar como isso traz consequências para a prática educacional (e, consequentemente, as teorias educacionais). Trata-se de uma abordagem inicial do problema, por isso pretende mais delinear pontos de discussão que elaborar uma solução aos mesmos.

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Filme “Solitário Anônimo” e o direito de morrer

Sinopse do filme: O filme mostra, por um lado, a vontade do Solitário Anônimo de pôr fim à sua própria vida. Ele é um homem estudado, formado em Direito e Filosofia pela Universidade de Brasília, mas decidiu se mudar para uma pequena cidade do interior de Goiás onde não conhecia ninguém. Foi morar longe de seus familiares para não preocupá-los pois queria morrer em paz. Por outro lado, o filme retrata o esforço dos profissionais de saúde em reanimar o Solitário Anônimo que fazia greve de fome há dias. Solitário Anônimo se ressente de que as pessoas acham que têm o direito de se preocupar com os outros, pois não o deixaram morrer. E diz que, se fosse corajoso, ele teria nascido japonês, já que lá é comum se suicidar.

Proposta de Trabalho: Utilizei este filme para discutir o direito de morrer com os alunos (3º ano do Ensino Médio). Antes de exibi-lo, pedi para os alunos se concentrarem nos argumentos possíveis para a defesa e condenação do “direito de morrer” apresentados pelo filme. Pedi, além disso, para os alunos fazerem o esforço para não ver o filme com alguns preconceitos como, por exemplo, tratar o caso do “Solitário Anônimo” como alguém que sofria um mal psíquico. Após a exibição do filme, pedi para cada aluno apresentar os argumentos que eram apresentados no filme e fui sistematizando no quadro. O intuito era pensar na relação do Estado e o Direito sobre a vida dos indivíduos. Pode ser desenvolvido um tribunal no qual uns alunos podem ser acusadores e outros defensores do “Solitário Anônimo”. Enfim, o filme pode ser trabalhado de muitas formas. O certo é que ele instigou muito os meus alunos.

Curso online e gratuito sobre o Ensino de Filosofia

course__filosofiaufpel_courses_eftd__course-landing-still-1437663236.34É um dado que vivemos na era da informação e que a Internet é uma mera consequência desse fato social. Nesse sentido, são cada vez mais comuns os cursos massivos e onlines ou MOOC (do inglês Massive Open Online Course).

E a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), vem inovando nessa área. Eles estão lançando o segundo curso massivo e aberto na plataforma Openlearning, cujo tema será “O Ensino de Filosofia e a sua Transposição Didática”. Continuar lendo

Dinâmica para o ensino médio: “A Possível Fundação do Estado”

Hoje, nas minhas aulas de filosofia, para os terceiros anos do ensino médio, desenvolvi uma dinâmica que já desenvolvo há alguns anos, quando vou trabalhar com Política. Normalmente, seguindo a abordagem de Jonathan Wolff, em seu livro “Introdução à Filosofia Política“, que inicia falando da noção de “Estado de Natureza”, fiz uma dinâmica para que os meus alunos refletissem sobre o que há antes da ordem social. Ela consiste no seguinte:

  • Dividir as turmas em grupos;
  • Cada grupo deve ser uma espécie de estado pré-social;
  • Cada grupo deve criar uma lista de 3 princípios para que uma ordem social seja possível;
  • Dar uns 15 minutos, e depois pedir para que cada grupo apresente esses princípios, listando-os no quadro;
  • Depois de todos os grupos terem apresentados, e todos os princípios terem sido listados (desconsiderar princípios repetidos), pedir para os alunos pensarem em qual é o mais elementar, o mais fundamental;
  • Além disso, problematizar se alguns princípios não pressupõem a existência da sociedade (os alunos listam, que é preciso haver punição para crimes, liberdade de ir e vir, igualdade, etc., princípios que, obviamente, pressupõem a existência da sociedade). Dá para fazer uma boa discussão.

A abordagem do tema fica a critério do professor. E os princípios que os alunos vão apresentar são indefinidos. Na maioria das turmas eles falaram que era preciso eleger um líder. Nesse sentido, dá para fazer, nas devidas proporções, é claro, um gancho com a filosofia de Thomas Hobbes. Mas a ideia da atividade é apenas fazer um experimento mental e mostrar que esse tipo de reflexão foi muito desenvolvida no século XVII. Fica a dica aí.

A escola pode pensar a escola? Uma proposta de currículo

Ontem, dia 15 de Outubro foi o dia do professor e, como de costume,  trouxe consigo reflexões sobre as dificuldades da carreira (baixos salários, desvalorização institucional….). Mas há uma reflexão que também é digna de nota e que diz respeito as instituições escolares. É nessa via que o excelente vídeo (infelizmente só em inglês) de Sir Ken Robinson, Changing education paradigms, percorre. Esse material lembrou-me de uma apresentação que fiz no II Seminário de Educação do Colégio Militar de Porto Alegre, cujo título foi “A Filosofia pensando a Educação e a Escola com estudantes do Ensino Médio”. Continuar lendo