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Falácias, vieses e preconceitos

 

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Guerrilla Girls, Manhattan, 1985. Fonte: New York Times.

O que falácias, vieses e preconceitos tem em comum? Ou, o que maus argumentos que parecem bons; processos cognitivos que favorecem as preferências pessoais ao invés de fatos; e, atos de discriminação contra pessoas por conta de uma característica social, tem em comum? Além do fato de todos envolverem alguma falha cognitiva, nesse post vamos explorar a relação entre epistemologia, psicologia e ética dessas falhas. Continuar lendo

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Resenha do livro Justiça, de Michael Sandel

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Olá, pessoal!

Andei pensando e minha ideia é periodicamente compartilhar com vocês algumas percepções minhas sobre algum livro cujo conteúdo foi importante para mim na preparação de aulas de filosofia e que acredito que possa beneficiar outros professores, bem como ao público em geral sensível à reflexão filosófica. Aprendo muito comunicando meus acertos e percebo que, muitas vezes, aprendo ainda mais comunicando meus erros. Disso, concluo que dialogar é bom. Nos faz perceber que estamos no caminho certo, dando-nos força para continuar, quando acertamos. E nos fazer mudar a rota, quando somos advertidos de que estamos equivocados; o que é ótimo, pior é permanecer no erro.

Nesse espírito de partilha, vou em frente. Continuar lendo

Publicidade do MEC sobre o “Novo Ensino Médio” vende gato por lebre

Na semana passada, o MEC (Ministério da Educação) começou a veicular uma propaganda na televisão e no rádio baseada numa pesquisa que dizia que 72% dos brasileiros aprovavam a Reforma do Ensino Médio. O comercial, assim como os anteriores, bate na tecla da “liberdade de escolha” e na defesa do “interesse dos jovens”.  Continuar lendo

Dinâmica para o ensino médio: “A Possível Fundação do Estado”

Hoje, nas minhas aulas de filosofia, para os terceiros anos do ensino médio, desenvolvi uma dinâmica que já desenvolvo há alguns anos, quando vou trabalhar com Política. Normalmente, seguindo a abordagem de Jonathan Wolff, em seu livro “Introdução à Filosofia Política“, que inicia falando da noção de “Estado de Natureza”, fiz uma dinâmica para que os meus alunos refletissem sobre o que há antes da ordem social. Ela consiste no seguinte:

  • Dividir as turmas em grupos;
  • Cada grupo deve ser uma espécie de estado pré-social;
  • Cada grupo deve criar uma lista de 3 princípios para que uma ordem social seja possível;
  • Dar uns 15 minutos, e depois pedir para que cada grupo apresente esses princípios, listando-os no quadro;
  • Depois de todos os grupos terem apresentados, e todos os princípios terem sido listados (desconsiderar princípios repetidos), pedir para os alunos pensarem em qual é o mais elementar, o mais fundamental;
  • Além disso, problematizar se alguns princípios não pressupõem a existência da sociedade (os alunos listam, que é preciso haver punição para crimes, liberdade de ir e vir, igualdade, etc., princípios que, obviamente, pressupõem a existência da sociedade). Dá para fazer uma boa discussão.

A abordagem do tema fica a critério do professor. E os princípios que os alunos vão apresentar são indefinidos. Na maioria das turmas eles falaram que era preciso eleger um líder. Nesse sentido, dá para fazer, nas devidas proporções, é claro, um gancho com a filosofia de Thomas Hobbes. Mas a ideia da atividade é apenas fazer um experimento mental e mostrar que esse tipo de reflexão foi muito desenvolvida no século XVII. Fica a dica aí.

Política para nós, professores

Passado o burburinho das eleições, podemos dizer que o país ganhou em termos de interesse das pessoas pela política. A política estava no comentário das pessoas, que discutiam (acaloradamente) as suas posições, assistiam aos debates e ao horário eleitoral. Para além disso, algumas pessoas não queriam participar da política institucional, ao pregar o voto nulo como um protesto que não tem nada de “apolítico” ou alienante, pelo contrário, marca uma posição política, ao se negarem a escolher candidatos que, para eles, não os representam. Sou otimista em relação ao futuro político do país e, quando falo em política, falo daquela do dia a dia, daquela que fazemos ao discutir os nossos problemas com familiares e amigos. A escolha de nossos representantes e o trabalho que eles exercem, por convenção e conveniência, é compreendida por muitos como a política em si, no entanto, essa visão é simplista e equivocada.

Sou professor de filosofia na rede estadual e sempre quando abordo este tema com os meus alunos, digo que, em termos de política, se você não decide, alguém decide por você. E isso acontece desde que resolvemos viver em sociedade, quando percebemos que é mais fácil conviver com os outros do que sobreviver sozinho. Para isso, o ser humano precisou – e ainda precisa – avançar em termos éticos, compreendendo que diferenças políticas se baseiam em opiniões sobre a sociedade que cada um, legitimamente, quer; portanto, opiniões e convicções políticas devem servir para aprimorar a nossa democracia e não dividir o povo entre os “do bem” e os “do mal”. Um dos princípios da democracia é a pluralidade de ideias, e aceitar que o outro pode pensar diferente de mim sem ser meu inimigo, é um sinal de civilidade, é sinal de inteligência moral, uma condição necessária para a boa vida política. Em política, só podemos “combater” ideias com bons argumentos e boas práticas que visem aprimorar o diálogo entre os diferentes, não é à toa que, para Aristóteles, a amizade é uma virtude moral essencial para a vida humana, pois quando trato as pessoas que convivem comigo como amigos, no sentido de pessoas que são importantes para a minha vida em sociedade, as trato com respeito.

Não obstante isso, o período eleitoral nos mostrou o que há de mais sombrio no ser humano e que não condizem com uma boa vida em sociedade, a saber, a intolerância, o racismo, a xenofobia e o preconceito social, elementos que nos dizem que algo está errado no Brasil. Política não se faz com o fígado e a bílis, mas com o cérebro, com a razão. É urgente que nós, professores, pautemos essa discussão com os nossos alunos, trabalhando o respeito à opinião dos colegas, condenando o racismo, problematizando opiniões preconceituosas, etc. Não adianta falarmos que esse tipo de educação vem de casa, pois é também nosso dever constitucional, enquanto educadores, formar o jovem cidadão. Precisamos de uma formação mais humanista e menos tecnicista para que, nas próximas eleições, atenuemos os discursos intolerantes e falemos mais de política, por conseguinte, de como melhorar a nossa própria vida levando em consideração a vida dos outros.

Trabalhando com Política e Cidadania (9º Ano)

Visitação à Câmara de Vereadores de Esteio

No Brasil, como podemos acompanhar nos noticiários e no nosso dia a dia, política significa corrupção ou maus serviços públicos prestados – a uma confusão acerca do seu papel social. No ambiente escolar não poderia ser diferente, a simples pergunta o que política significa para você? Tem como resposta a sentença irrefletida, qual seja, política significa “coisa ruim”. Desse modo, o trabalho em sala de aula com essa temática passa, inicialmente, por uma quebra dos preconceitos – muitos inculcados pelos grandes meios de comunicação.

A partir do ano passado, tenho utilizado o livro “Somos filhos da Pólis: investigação sobre Política e Estética” (utilizo a 5ª ed.) de Silvio Wonsovicz, que faz parte da coleção que havia falado em post anterior. Essa coleção é desenvolvida por dois autores, o Silvio e o Alberto Thomal, o primeiro trabalhando mais orientado para a Ética e a Política e, o segundo, trabalhando mais com teoria do conhecimento e lógica. Em relação ao trabalho dos dois, no entanto, acho os textos elaborados por Silvio de mais fácil compreensão e mais instigantes que os textos de Thomal. Não quero dizer, com isso, que o trabalho do Thomal é ruim, muito pelo contrário, dado o tema abordado por ele – que é sempre difícil para o ensino fundamental -, ele dá conta do recado.

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